Disponibilizamos aqui um conjunto de telas para aquisição.
A renda será totalmente revertida para o Fundo de apoio aos eventos com Maharaji.
Caso tenha interesse em adquirir, escreva para: bastida@newsite.com.br
Clique nas imagens abaixo para ampliar:

Quadro 1
Quadro 2
Quadro 3
Quadro 4
Quadro 5
Quadro 6
Quadro 7
Quadro 8
Quadro 9
Quadro 10
Quadro 11
Quadro 12O autor da presente exposição, Hélio Bastida Lopes, é natural de Sorocaba-SP, reside em Florianópolis desde 1992, atuando profissionalmente na área jurídica. No ano de 2001 descobriu uma veia artística e desde então obtendo o apoio de vários artistas plásticos locais, tem participado de várias exposições coletivas e individuais. Seu mais recente trabalho, intitulado Ciudadela, foi apresentado primeiramente em novembro de 2008 no Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina e desde então percorreu inúmeras mostras. Ciudadela representa para o autor, aquele local protegido, o refúgio, um abrigo em meio a todos os movimentos, sons e imagens externas. O espaço fortificado onde se pode procurar a todo instante a sensação de paz e descanso.
Algumas destas obras estão agora disponibilizadas no site e os valores eventualmente obtidos serão doados integralmente para o Fundo de Apoio a Eventos com Prem Rawat no Brasil, projeto que possui destinação específica junto à Sociedade de Apoio ao Conhecimento e Paz Interior, entidade sem fins lucrativos sediada em São Paulo, que dá suporte no Brasil ao programa Palavras de Paz.
O programa Palavras de Paz visa difundir a cultura da paz global, alicerçada na dignidade e prosperidade. A Fundação Prem Rawat - TPRF, está engajada em inúmeros projetos humanitários, auxílio a sobreviventes de desastres naturais, tais como o desabamento de terras que atingiu a aldeia Guinsaugon, nas Filipinas, também o da Indonésia, do furacão Katrina, famintos no nordeste da Índia, entre outras ações específicas.
A observação consciente e o ganho de criatividade foram dois objetivos buscados e descobertos pelo autor no desenvolvimento do presente projeto de pintura acrílica com colagens sobre telas denominado Ciudadela (espaço fortificado).
2.1. A Observação
A metáfora da correnteza, contra a qual não se deve nadar, e sim se deixar levar, pode também significar que a luta contra a natureza essencial pode trazer como resultado, não o óbvio esforço desperdiçado na direção errada, mas a sensação de artificialidade ou de que se perdeu alguma coisa.
O homem, parte integrante deste organismo vivo denominado Terra, finalmente se conscientiza para o fato que não existe isoladamente. Hoje, esta awareness urgente e maior está reconhecida em dois simples pilares que visam à manutenção da saúde global: preservação e sustentabilidade. Dispensável dizer que ambas estão formalmente inseridas na agenda prioritária do dia.
Neste contexto, onde as ações irresponsáveis do passado se cruzam com as ações positivas para o futuro, torna-se igualmente importante se fazer uma pausa nas intenções. Nesta etapa, nota-se uma necessidade crucial da observação, tanto externa quanto interna, como posicionamento constante a ser adotado.
Observação essa que tenta ultrapassar o limite da curiosidade e que procura fazer da existência uma verdadeira obra de arte em sua concepção básica da expressão humana, presente em praticamente todos os ramos das realizações.
Esse movimento pode ser apreendido quando experimentado, algumas vezes deixando a sensação de que se retira algo irremediavelmente do lugar. Não existe qualquer alusão a uma pretensa estabilidade, pois uma vez que se deixa levar pela espontaneidade, o observador jamais voltará a ser ele mesmo. O preço para tudo isso, esse é justo, na medida em que o ganho – seja em termos de qualidade, seja em termos de interação harmônica – é infinitamente compensador.
Tudo que ficou para trás não caberá mais nesse novo mundo, serão necessários novos horizontes, novos desafios.
2.2. A Arte e seu papel de comunicação por imagens
Do ponto de vista dos lingüistas, a linguagem pode ser dividida entre escrita e falada, mas se olharmos somente pelo ponto de vista gráfico, é o que propõe Twyman, ela pode ser dividida em verbal e pictórica (Twyman, Michael. Graphical presentation of pictorial language).
A linguagem escrita evoluiu de valores pictóricos e de motivos figurativos de representação da realidade, como comprovam os caracteres cuneiformes assírio-babilônicos, os hieróglifos egípcios e mesmo os ideogramas chineses. O exemplo mais evidente desse fato é a escrita Maia, que se assemelha surpreendentemente a vinhetas de banda-desenhada.
À parte o caráter xamânico, litúrgico ou mágico que se possa atribuir à pintura rupestre, à parte a possibilidade de que servisse, nas entradas das grutas paleolíticas, para afugentar animais (com imagens de predadores), o mais importante aspecto da sua utilização parece ter sido de tipo estratégico e pedagógico. As cenas de caça que retratam grupos de homens estilizados cercando um animal de grande porte, ou animais diversos com lanças espetadas no corpo, compõem a grande maioria das pinturas rupestres conhecidas. Esse fato aponta para a hipótese de que o ato de pintar obedece a uma tentativa de planejamento e de organização tribal.
Numa era em que não existiam agricultura e domesticação animal, o homem-nômade, dependente da caça e com poucas possibilidades de sobrevivência individual perante as inúmeras ameaças naturais, inserido em aglomerados tribais, teve de conceber formas rudimentares de comunicação que possibilitassem ações de grupo.
Podemos encontrar paralelismos desta realidade comunicativa da Arte por toda a História, mesmo após a invenção da escrita. Desde os baixo-relevos egípcios aos vitrais das igrejas medievais, a Arte servia à função principal de narrar uma história importante a uma população majoritariamente analfabeta.
Hoje ainda se considera a Arte como uma Arte da Comunicação, mas as correntes contemporâneas, sob a máxima da “Arte pela Arte” tornaram-na praticamente uma comunicação autista. Quando se fala hoje em Arte da Comunicação, mais facilmente se sugerirá ao ouvinte a idéia de design do que necessariamente a de Pintura ou de Escultura. O purismo formal e a procura de síntese, patente em correntes como a arte conceitual, o minimalismo, o suprematismo, o abstracionismo, transformaram a linguagem explícita da arte num código críptico cuja chave é o próprio artista.
Nos dias atuais, ao contrário desse exemplo, a Arte Moderna não se fundamenta numa necessidade comunicativa, mas numa introspecção e abstração analítica que apetece denominar como uma “demanda da matemática pictórica” ou “física plástica da psique”. O que se pretende não é a geometria, mas a idolometria que solucione a beleza nas suas dinâmicas mais simples.
A Arte e a mensagem seriam talvez o mesmo conceito em termos latos e toda a criação artística pode e deveria ser definida pela intenção criativa. Nesse sentido, “Arte pela Arte” não é Arte, mas “Artistismo”. Não se trata de perseguir um retorno ao figurativismo, pois isso seria reacionário e facilitista, também não se trata de ser a favor de uma comunicação artística literal e de uma eliminação da subjetividade, pois essa existirá sempre.
Se a criação solitária e intimista, autobiográfica e auto-imersa nada mais fosse que egoísmo puro e onanismo estéril, não teria a Arte, através de sua característica visual, importante papel de ponte, de aproximação do “outro”.
A resposta virá com o resultado da tentativa. A mudança, curiosa e paradoxalmente, já ocorre, quer a desejemos ou não, a partir do momento que o observador passou a expressar-se e a “pensar”, porque o cenário nunca será estático ou uma mera conseqüência, é sim único, em permanente movimento e evolução.