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A paz começa em você
Viajo muito e falo a respeito da paz. As pessoas têm interpretações diversas do que seja a paz. Fazendo analogia com a luz, gostaríamos de ver luzes acesas na fronteira da Índia com o Paquistão, em Beirute, em Israel, na Palestina, onde quer que seja. Mas a paz é um pouco mais do que luzes acesas. E é isso o que precisamos considerar.
O recipiente de uma lamparina a óleo é feito de argila. Há um pavio de algodão e um recipiente com óleo. Quando se ateia fogo ao pavio, ele queima por pouco tempo e se apaga. Para mantê-lo aceso por bastante tempo é preciso óleo. Talvez o óleo não seja visto, mas é ele que ajuda o pavio a se manter aceso e dar luz.
Há uma paz que não é apenas uma paz superficial - não apenas uma paz feita de idéias ou condições, mas uma paz que vai muito além dessas coisas. A paz com a qual precisamos entrar em contato e que deveríamos discutir no mundo de hoje é aquela que gostaríamos de ver refletida nas fronteiras das nações.
O fato de as pessoas não lutarem umas contra as outras é só um reflexo, uma conseqüência de outro acontecimento. Não a verdadeira causa.
Os pais gostam de ver o filho sorrir. É um sentimento maravilhoso. Mas como proceder para ter isso? Esticar os cantos da boca? Colocar um palito entre os lábios?
É o que tentamos fazer. Criamos uma noção de paz, que é a ausência de guerra. Mas a "ausência de guerra" é a conseqüência de algo. A paz vai acontecer quando todos pudermos sentir interiormente esse sentimento de paz.
Quando quer iluminar a sala, você acende as luzes. Cada lâmpada é um ser humano. Para ter paz na Terra é preciso acender as lâmpadas chamadas seres humanos.
Temos necessidades fundamentais que, se não forem atendidas, não importa o que fazemos. Trocamos o hoje pelo amanhã. O hoje é gasto com o planejamento do futuro. Mas o futuro nunca vem porque o amanhã sempre chega sob a forma de hoje. Como será vivido o amanhã? Planejando-se o dia seguinte.
O mundo está preso a uma rotina. Trocamos a paz pela prosperidade quando a fórmula sempre foi primeiro a paz, depois a prosperidade. Não prosperidade, depois paz. Pensamos que a prosperidade é tudo o que é preciso. Se todos tivessem alimento, tudo estaria bem. Mas quando as pessoas têm alimento elas continuam a ter necessidades.
Há algo que tem sido a busca de toda civilização na face da Terra. A sede de paz. A sede de paz está dentro de você, e a paz também está dentro de você. Comece por você. Comece respeitando o que o hoje significa para você, em vez de trocar o hoje pelo amanhã. O que este momento que você vive significa para você? Sua vida é como um colar - um momento, outro momento, outro momento, outro momento.
Você é o primeiro passo. A paz começa com você, não com outra pessoa. Ao longo da vida, as coisas vieram de outro lugar. Mas o processo da paz começa com você. Começa com você entendendo a possibilidade que o fato de estar vivo lhe traz.
Acontecem muitas coisas que atraem nossa atenção. Talvez uma outra coisa devesse atrai-la: a possibilidade da paz. Muitas coisas nos distraem. Talvez haja uma coisa da qual nunca deveríamos nos desviar: a possibilidade que a própria vida traz.
Apresento às pessoas a possibilidade de si mesmas. Lembro-as de pôr óleo na lamparina. É bom enfeitar a argila, e o pavio é necessário, mas não se esqueça do óleo. Há muitas prioridades e exigências, muitas coisas que precisam ser feitas. Mas comece com a fórmula simples da paz e da prosperidade. Essa fórmula foi estabelecida há muito, muito tempo. E a paz começa em você.
Maharaji
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