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Única Fonte

Prem Rawat in Amaroo, Australia

Gostaria de falar a respeito da dádiva da vida que temos na condição de seres humanos. O que é o ser humano? O que nos distingue tanto? De certo modo, não há muita diferença entre nós e os outros animais. Talvez a diferença não seja maior que a existente entre um gato e um cachorro, mas somos distintos.

Que diferença é essa? Há animais que correm mais do que nós; portanto não se trata de correr. Há animais que pulam mais alto que nós; não se trata, então, de saltar. Não é o sorriso, porque os macacos sorriem com freqüência a fim de mostrar seus dentes e deixar claro a todos que são eles que mandam. Não se trata, portanto, de sorrir.

O que é? Não é ciência o que vou dizer, mas creio que seja nossa capacidade de apreciar, de desfrutar, o que faz de nós o que somos. Os cães gostam daquilo que gostam, sem dúvida. Abanam o rabo e um brilho surge em seus olhos. Chegam até a sorrir. Gostam daquilo que gostam. Com os gatos é a mesma coisa. Gostam do que gostam. Também os pássaros gostam daquilo que gostam.

Prem Rawat

Mas há algo que podemos apreciar por sermos o que somos. E isso, na minha opinião, é o que nos diferencia um pouco.

Vejamos o que acontece com as plantas. Certo dia eu caminhava em direção ao carro e notei que, apesar de o chão estar ondulando, as árvores se mantinham de pé, não estavam caídas. Por quê? Porque as raízes estavam na terra, mas elas se relacionam com algo que está no ar. Elas precisam expor as folhas ao Sol, e quanto mais melhor. É assim a relação deles.

A árvore leva em conta muitas coisas: tempestades, vento, o contato com o Sol. Há plantas na Antártica que crescem bem rente à superfície porque conhecem o vento. Sabem que, se tentarem subir, será o fim delas, então crescem muito perto do chão, mas a relação com o Sol se mantém constante.

Há uma miríade de formas: diversidade de folhas, galhos, raízes, cascas. E a árvore se relaciona com algo que está muito distante. A árvore não sabe a que distância está o Sol. Mas tudo em sua forma, em sua existência, está em equilíbrio. Se esse equilíbrio se rompe, ela deixa de existir.

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No tocante a nossa existência, quão equilibrada ela é? A maioria das pessoas pensa: “Preciso sobreviver neste mundo, e o que for necessário para isso é tudo de que preciso. Ponto. É isso”.

Mas com o que temos esse relacionamento decisivo? Qual é a única fonte de inspiração em nossa vida diária? Para mim, não pode ser um herói. Não pode ser algo que aprendemos. Não pode ser uma ideologia, nem um grande poeta, nem um filósofo. É algo que existe no coração.

O fato é que esse poder está dentro de cada um, e ponto. A única questão é se reconhecemos essa força e deixamos que ela se manifeste.É disso que estou aqui para falar.

Não estou aqui para resolver problemas. O que quero que perceba é que há algo real dentro de você que é maior que a soma de todo o bem e todo o mal, independentemente de como você se veja. Não importa o que tenha lido ou o que você pense, existe algo em seu interior. Isso pode ser a única fonte de inspiração em sua vida.

Espero que descubra o que é e preste atenção nessa coisa que está dentro de você e com a qual vai estabelecer um relacionamento. Aí então não estará apenas sobrevivendo, mas florescendo.

Prem Rawat

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