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Tudo é percepção
Fala-se em “pensamento oriental” e “pensamento ocidental”. Por que dividimos o mundo? A Terra é redonda e gira, gira.
Estou falando de algo universal. O real é que somos todos seres humanos. Pusemos essas camadas sobre nós, mas elas não são reais. Não há Oriente nem Ocidente. Não olhemos apenas o rosto e a cor da pele. Nossos rostos diferentes são como flores num jardim. Se todas fossem da mesma cor, seria muito monótono. A diversidade de cores – rosa, verde, vermelho, amarelo, marrom – é o que torna belo o jardim.
Mas olhamos para os rostos e dizemos: “Você é diferente”. Existem pessoas que amam o Oriente e detestam o Ocidente, outros que amam o Ocidente e detestam o Oriente. Esse abismo aumenta cada vez mais quando deveria diminuir. Todos podemos nos ajudar mutuamente. Não precisamos nos segregar por causa de religiões ou crenças, pelo que pensamos. Se quisermos seguir tradições, devemos ser livres para segui-las. Todo mundo quer e precisa de espaço para se movimentar.
Pessoalmente não gosto de sectarismo. Gente é gente – cada indivíduo. Somos humanos – e não produtos “made in China” ou “made in USA”, mas pessoas feitas pelo poder que a tudo criou. Devíamos nos orgulhar do fato de estarmos vivos, de sermos humanos.
Devíamos ser educados para ter mais tolerância um com o outro. Afinal, vivemos no mesmo planeta. Quando se vive numa casa com outras pessoas, é preciso ser amigo de todos. Vivemos todos na mesma casa. Chama-se Terra. E é uma só.
Se você não gosta da sua casa, pode se mudar. Mas para onde iria se quisesse deixar a Terra? Para Marte? Lá você será torrado e congelado, torrado e congelado, como alimento para microondas. Esta é a casa em que vivemos. Podemos torná-la mais suportável.
Quando chove, seja no deserto da Índia ou da África, a chuva é a mesma, faz as flores desabrocharem do mesmo jeito. Não somos assim tão diferentes. No frigir dos ovos, não há tanta diferença. E o que somos não é algo mau; é bom. É muito bom.
Visitei uma pessoa que tinha um adesivo na geladeira que dizia: “Sorria”. Quando perguntei por quê, a resposta foi: “É bom ser lembrado”. É mesmo bom ser lembrado para sorrir? Somos seres humanos. Fazemos isso naturalmente. Quando tudo vai bem, o sorriso é automático. Não precisamos de lembrete. O sorriso vem naturalmente. Quando tudo vai bem interiormente, o sorriso aparece.
Há pessoas que querem ter um jardim florido o ano todo, então compram grama falsa, flores e árvores artificiais. E dizem: “Veja só meu jardim! Não é bonito? Fica assim o ano inteiro e não preciso cortar a grama”. Sim, mas onde estão as borboletas e as abelhas? Onde está o perfume das flores? O jardim pode parecer bonito, mas não é um jardim de verdade. Você quer um belo jardim mesmo que não seja de fato um jardim?
Seja verdadeiro com você mesmo. Não viva nesse faz-de-conta. Seu tempo por aqui é curto demais para você ficar fingindo. Se quer voar, então voe de verdade. Porque você pode. Não é preciso fingir. O fingimento não leva muito longe. E não vamos ficar aqui por muito tempo.
Muitos jovens pensam que a vida vai continuar por muito, muito tempo ainda. Pergunte a quem já viveu bastante sobre a rapidez com que a vida passa. Tudo é percepção. Lembra-se de quando você era criança? Sua mãe ou seu pai dirigia o carro, e 15 minutos demorava para passar. Hoje você diz: “Já chegamos?” Tudo tem a ver com percepção.
Reconhecemos o valor do tempo à medida que vamos tendo cada vez menos tempo. Isso não é nada inteligente. Compreenda o valor do tempo agora. E o melhor modo de entender é ter o máximo possível de contentamento. Aí então você terá conquistado o tempo. Então terá compreendido o que lhe foi dado: a incrível dádiva da vida.
Prem Rawat
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