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Quando vem a primavera
Estamos na primavera. E uma luta acontece. De um lado, o inverno não quer ir embora; de outro, o calor do verão quer chegar. E isso se desenrola no céu, nas nuvens, nos relâmpagos, no arco-íris, no Sol. E no solo encontram-se as plantas pequenas e delicadas. Elas são frágeis. No outono passado, elas apostaram: “Para sobreviver no inverno, vamos precisar perder as folhas”. E a aposta foi: “O verão vai voltar e, quando tiver chegado, poderemos soltar nossas folhas e de novo ficar inteiras”.
Agora estão preparadas e, com o mais leve indício de verão, começaram a soltar novamente suas folhas, prontas para alcançar o objetivo de serem completas.
Minha pergunta é: você está preparado para a primavera em sua vida? Se estiver, tenho uma notícia muito boa para você: a primavera já chegou! Pronto! Não é hora para racionalizar, questionar, discutir se a primavera realmente chegou ou não. Não é hora para lamentar que as folhas vão cair de novo. Do que se trata então?
Você sabe que todo dia em sua vida a primavera vem? Sim, a dor vem também. O que a dor diz para você? “Olá, você não tem estado um tanto inconsciente nos últimos tempos? Desperte.” Quando a dor chega, as pessoas pensam: “Vamos ver o que é, vamos analisar”. A dor não é para isso. O rangido do motor indica que algo não vai bem.
Como ser humano, você tem um ritmo. E esse ritmo diz: “Ande, vamos. Vá em frente”. Mexa-se. Entenda sua mortalidade e inspire-se para ir em frente, não pare. Entenda também que uma parte de você é imortal.
Você é como um sanduíche. Uma parte de você, para a qual você prestou muita atenção, é a fatia errada do pão. Você devia ter prestado atenção à outra fatia, porque esta vai se desintegrar. Sua natureza é essa. Não deixe que isso o amedronte. Deixe que isso o inspire a se concentrar na parte que é verdadeiramente deliciosa. E a inspiração para fazer isso reside no seu coração. Dentro de você está o tambor com a batida do saber, do entender, do dançar ao ritmo do entendimento. “Eu entendo a dádiva que recebi. Entendo meu impulso para vicejar.”
A beleza é: a primavera virá. Quando eu olhar para as folhinhas brotando, direi: Vamos, cresçam. Não se sintam ameaçadas. Não desanimem com o frio que está fazendo hoje. Por maior que seja o desconforto do frio, ele passará”.
Para você, por maior que seja a dor da ignorância, ela deixará de existir, porque o buscador que há dentro de você é mais forte do que a soma de todas as perguntas e confusões que existem neste mundo. Assim é o impulso que vem de dentro. E é o impulso mais belo: o de procurar. Quando uma pessoa busca, digo: “Ótimo. Se você busca de verdade, encontrará a pessoa que saciará essa busca”. Isso é a sede, o sedento e a água. Como existe a sede, há aquele que a tem. E, como há o sedento, a água será encontrada.
Algumas pessoas têm grande dificuldade para encontrar a água. Mas ela será encontrada, pois a água que ela procura está dentro dela mesma. Não é preciso ir a nenhum lugar especial. Não é preciso procurar um oásis, nem um poço, nem pássaros, nem nada disso. Em qualquer lugar deste deserto, a respiração está absorvendo a água mais incrível que saciará sua sede, dia e noite.
Olhe para dentro do seu coração e você encontrará a mais verdadeira essência da sua vida. Olhe para dentro de você, e encontrará a água mais bela. Olhe para seu interior, e você encontrará suas respostas para aquilo para o qual nem mesmo tem perguntas.
Estou falando da paixão e da compaixão neste universo e além dele, da energia mais incrível que criou o Sol, a Lua e a Terra a partir do pó. Do nada foi criado tudo. Para criar a Terra com abóbadas sem pilares, com texturas incríveis de tapetes vivos, belos, em constante mutação. Para criar a luz magnífica, feita de todas as tonalidades. Para criar as luzes noturnas inimagináveis: a Lua, as nuvens, as estrelas, tudo isso. E para você ser capaz de observar tudo isso, não apenas ver, mas também admirar. Para fazer os dias, e nunca serem dois iguais – isso é arte. Para fazer as árvores e os flocos de neve – e nunca dois iguais. E para fazer os humanos – nunca dois iguais.
Quando a chuva cair, lembre-se da magnificência com que você foi abençoado. Lembre-se das possibilidades que existem. Lembre-se de que você faz parte disso tudo. Você não é uma coisa abstrata que não serve para nada e que existe por acaso. Quando a arte é assim tão boa, cada pedacinho deve ser olhado e admirado; nada é frívolo. Nem um grão de areia, nem uma folha, nem um floco de neve, nem uma gota de chuva está fora de lugar. Se você aceitar isso, deve também aceitar que você não está fora de lugar. Veja e entenda a realidade, porque é mais bela do que qualquer coisa que você tenha imaginado. E à medida que a primavera chega todos os dias em sua vida, sem hesitação, floresça.
Prem Rawat
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