Incomparável
Você tem ouvido falar da paz de muitas maneiras diferentes. Talvez esta seja apenas mais uma perspectiva, mas ela vem do coração.
Paz. Pensamos: “Paz. Sim, alguma coisa aqui chamada paz”. Quando viajo pelo mundo e menciono a palavra “paz”, cada um tem uma reação diferente. Abrange desde “Já ouvi falar nisso”, “É uma perda de tempo”, até “Estou interessado na paz”.
A afirmação mais significativa é “Estou interessado na paz”. Eu, como indivíduo, como pessoa – não um rótulo, uma caixa, o mundo, mas um ser humano vivo que respira, cuja existência é inestimável. Esta é a oportunidade dada a cada um de nós.
A paz é um sentimento – um sentimento de não-dualidade, livre de dúvidas, eu sentindo a mim mesmo. Eu entendendo a minha existência. Sentindo paz – não em tumulto nem em guerra ou controvérsia, mas na serenidade da existência.
Há mais para você do que percebe. Existe outro capítulo que não foi aberto. Talvez haja um tesouro que ainda não foi explorado. Talvez exista um outro espaço nessa vila, nessa mansão, nesta casa, que ainda não recebeu atenção.
O desejo por paz transcende qualquer barreira. Mesmo os prisioneiros querem paz. Os que têm pouco para se alimentar também anseiam por paz. Aqueles que moram em grandes mansões desejam ter paz. A paz é uma dessas coisas: depois de uma tigela de comida, ainda quero estar em paz. A pior guerra é a que ocorre no interior de um ser humano, porque nessa guerra não há cessar-fogo. Ela não dá tregua; não é possível negociar só com uma parte. O problema com a guerra travada dentro é que, mesmo vencendo, você perde, porque é com você mesmo.
Esta é a sua vida. Às vezes esquecemos o que se está gestando aqui. Não se trata de uma construção qualquer. Bem-feita, ela será melhor e mais bonita que a Mona Lisa, maior que a Estátua de Davi, mais magnífica que a Capela Sistina.
Quem será o admirador? Admiração e simplicidade são os anjos-guardiões desta linda experiência chamada paz. Elas são as torres. Sem lugar a dúvidas, conheça o valor desta existência, conheça o valor da respiração, o desejo de paz que está em nossos corações. Há uma parte de nós que tem acenado para estarmos em paz uma e outra vez, e quando estamos inquietos nos diz: “Assim não está bom. Você não quer se sentir assim. Isso não é aceitável”.
Estou falando a respeito de uma paz que pode ser sentida mesmo em meio a uma guerra. Não se trata do novo ou de algo luxuoso. É sobre o bom e velho coração que sempre esteve aí. É sobre o bom e antigo alento, que é velho e fresco e novo como nada que já tenha visto. Não posso compará-lo com o orvalho ou com o Sol nascente ou com uma nova estrela, porque quando esta respiração me toca é tão nova, que é incomparável. Este é o meu potencial. Posso estar pleno tanto quanto você.
Maharaji
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